Separação de pedidos: onde o estoque ganha ou perde dinheiro
Quem opera estoque sabe que a separação de pedidos, o chamado picking, é a etapa em que mais se gasta tempo e mais se erra. Etiquetas de endereçamento claras e códigos de barras lidos na hora certa são das ferramentas mais baratas para atacar esse problema. Neste artigo, mostramos o que pesquisas de universidades indicam sobre o peso do picking e sobre o efeito da leitura por código de barras, e como aplicar isso no seu depósito.
Quanto custa separar pedidos
A revisão de literatura Design and control of warehouse order picking (De Koster, Le-Duc e Roodbergen, Universidade Erasmus de Roterdã, 2007), publicada no European Journal of Operational Research, aponta o picking como a atividade mais intensiva em mão de obra e mais cara de quase todo armazém, com estimativas de até 55% do custo operacional total.
Isso muda a conversa. Se mais da metade do custo do armazém está em andar, procurar e conferir, qualquer ganho pequeno por pedido se multiplica por milhares de pedidos no mês. E boa parte desse tempo é gasto procurando: não encontrar o item, duvidar do endereço, conferir de novo o que já estava certo.
O que a leitura por código de barras faz pelo erro
A melhor evidência de universidade sobre o efeito do código de barras em erro operacional vem da área da saúde, onde cada erro é registrado com rigor. No estudo Effect of Bar-Code Technology on the Safety of Medication Administration (Poon e colaboradores, Brigham and Women's Hospital e Harvard, New England Journal of Medicine, 2010), os pesquisadores observaram mais de 14 mil administrações de medicamentos antes e depois da adoção da leitura por código de barras.
- Os erros de administração (sem contar erros de horário) caíram de 11,5% para 6,8%.
- Os erros de transcrição, que eram de 6,2%, praticamente desapareceram nas unidades com o sistema.
- Os eventos potencialmente perigosos caíram de 3,1% para 1,6%, redução relativa de cerca de 51%.
Quando a conferência deixa de depender da memória e da leitura humana de um número, o erro de digitação e de troca cai de forma mensurável.
Um cuidado de leitura
O cenário do estudo é hospitalar, não logístico. Ele não permite afirmar que o seu depósito vai reduzir erros na mesma proporção. O que ele sustenta é o princípio: ler o código em vez de digitar ou conferir de olho reduz troca e falha de registro. A magnitude no seu estoque depende do seu ponto de partida.
Como etiquetar o armazém para facilitar o picking
Endereçamento legível de longe
Cada posição precisa de um endereço único, curto e padronizado, como rua, prédio, nível e posição. Use fonte grande e contraste alto. A pessoa deve ler o endereço enquanto caminha, não parada na frente da prateleira.
Código de barras junto do texto
Imprima o código de barras do endereço ao lado do texto. O operador lê o endereço e depois lê o produto: se não baterem, o coletor avisa antes de o erro seguir adiante. Essa dupla leitura é o equivalente prático do que o estudo hospitalar descreve.
Etiqueta que resiste ao ambiente
Prateleiras sofrem atrito, poeira, umidade e variação de temperatura. Escolha material e adesivo adequados ao local. Etiqueta descolada ou ilegível vira exatamente o erro que você queria eliminar. Em ambientes frios ou úmidos, vale revisar o adesivo antes de comprar em volume.
Cor para organizar por zona
Etiquetas de cores diferentes por corredor ou família de produto ajudam o olho a se orientar e a perceber, de imediato, que algo foi guardado no lugar errado.
Passo a passo para começar sem parar a operação
- Meça o ponto de partida. Conte, por duas semanas, quantos pedidos saíram com item trocado, faltando ou em quantidade errada.
- Padronize os endereços de uma zona piloto, a de maior giro.
- Etiquete e treine a equipe em uma explicação de dez minutos.
- Compare os números depois de duas semanas com a mesma contagem do início.
- Expanda para as outras zonas apenas se o piloto mostrar ganho.
Erros comuns
- Misturar dois padrões de endereço no mesmo depósito.
- Imprimir código de barras pequeno demais ou com impressão fraca, que o leitor não consegue ler.
- Reaproveitar etiqueta antiga por cima da nova.
- Etiquetar sem treinar: a ferramenta só funciona se o processo de leitura for seguido.
Conclusão prática
O picking concentra uma parte enorme do custo de um armazém, e a evidência de universidades mostra que a leitura por código de barras reduz erros de conferência de forma significativa em ambientes que a adotaram. Para o seu estoque, o caminho é endereçar com clareza, imprimir código legível, escolher o material certo da etiqueta e medir antes e depois. Se precisa de etiquetas de endereçamento e identificação para a sua operação, fale com a equipe da Sul Etiquetas.
